Tupi Imperial, ou império tupi?

Tupi Imperial, ou império tupi?

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Aûê Îane Tuxaûaûasu! Assim se saúda o Imperador na língua tupi moderna, ou nhe´engatu, viva na língua de 3.000 pessoas no norte do país [1]. Essa língua cabocla, criada nas bocas dos brasileiros, no período pré-pombalino, resiste bravamente à força inexorável do tempo. É desta língua e do seu legado, de que falará esta coluna.

O tupi moderno é fruto do relacionamento entre os colonizadores portugueses e os índios que habitavam as costas brasileiras no período colonial. Os colonos que se aventuravam a atravessar o oceano eram, grosso modo solteiros e se amasiavam com as índias, mas não educavam seus filhos. Dessa união surgiram, a princípio, dois idiomas : o tupi austral, ou paulista e o tupi boreal, amazônico ou nhe´engatu. Enquanto um idioma se difundia à força do braço bandeirante, o outro seguia o caminho da cruz. [2] No sul, devido às bandeiras, lugares habitados por tribos e nações de outras línguas foram batizados com nomes tupis. Assim o idioma se difundia, a lugares tão distantes como o Rio Grande do Sul e o nordeste. No norte porém, o nhe´engatu foi tido como o idioma primaz de educação dos recém-convertidos, e era a língua majoritária dos centros urbanos amazônicos.[3] Todo esse crescimento, porém, teve seu preço.

Em 1759, para diminuir o poder dos jesuítas na colonia, o Marquês de Pombal proibiu o uso do idioma geral, tanto no norte como no sul, e posteriormente expulsou os jesuitas do Brasil [4]. Para consolidar o idioma português, utilizou de violência e políticas de extermínio lingüistico. [5] Apesar do esforço considerável para extinção do idioma, no norte do país ainda há quem o use, e o estude. São aproximadamente 3000 pessoas na região de São Gabriel da Cachoeira, na cabeça do cachorro, estado do Amazonas, municipio em que, inclusive é idioma oficial, juntamente com os idiomas tukano e baniwa.[6]

Com uma história tão rica, não é de se admirar que tantos lugares tenham nomes em tupi, seja clássico, austral ou boreal, ou nomes com partes tupis. É esse legado, e essa história, que pretendemos resgatar nesta coluna semanal. Pela honra do Imperador e Glória maior do Brasil!

Pindorama, kó tetama i poranga pyre amo tetama suí!

Bibliografia

1-http://www.ethnologue.com/show_language.asp?code=yrl

Acessado dia 27 de janeiro de 2011 às 17:23

2- Navarro, Eduardo Almeida de, Método Moderno de Tupi Antigo:a língua do Brasil dos primeiros séculos.

3 edição, Global, São Paulo 2004

3-Freire, José Bessa, da ‘fala boa’ ao português na amazônia brasileira. Revista Ameríndia n°8, 1983, disponível emhttp://www.vjf.cnrs.fr/celia/FichExt/Am/A_08_03.htm

Acesso em 27 de janeiro de 2011 às 17:25

4-Idem ao 3

5-Ibidem

6-Lei municipal 145 de 11 de dezembro de 2002 do Municipio de São Gabriel da Cachoeira;

Por Rauly Sá e Silva

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