República: uma colônia de empréstimos e dívidas

República: uma colônia de empréstimos e dívidas

0 1214
Campos Sales, quarto presidente do Brasil e autor de um dos maiores crimes contra a população brasileira. (Governo do Brasil/Galeria)

Fazer empréstimos para quitação de questões internas e externas não é uma exclusividade do Brasil. Não há a necessidade de ser um especialista em economia histórica pra ter esse conhecimento superficial sobre o assunto. A nossa monarquia, por exemplo, também não escapou da necessidade em buscar dinheiro de outras fontes e isso nunca foi segredo para ninguém, principalmente após a perda do contato direto com Portugal.

Mas a comparação entre Monarquia Brasileira e República Brasileira é o que assusta. Na década de 1930, o escritor Gustavo Barroso realizou um levantamento sobre os empréstimos realizados no Brasil entre os anos de 1824 e 1927, obra que foi reeditada pela Revisão Editora em comemoração ao centenário de Barroso em 1989. Abaixo você confere alguns trechos do livro e também a comparação:

“Depois de proclamada a República, piorou a nossa situação. A velocidade adquirida com os empréstimos da monarquia se acelerou ao sopro dos desperdícios republicanos e rolamos mais depressa para o abismo […] Não era possível aguentar o peso esmagador do serviço de juros, sobretudo depois das perturbações políticas, sociais e militares do início da era republicana. Em 1898 o Governo Campos Sales e Rotschild fizeram o primeiro funding-loan, isto é, o primeiro Empréstimo de Consolidação […] a juros de 5% e prazo de 63 anos. Até 1961! Verdadeira hipoteca do futuro”. (Barroso, 1989, p.52)

Para se ter ideia desses números relatados, o empréstimo citado por Barroso correspondia ao valor de 8,6 milhões de libras, valor que em 1961 chegou ao valor de 27,2 milhões de libras (!) graças aos juros e ao prazo exorbitante contratado pelo então presidente da república.

“Em verdade, o Brasil tem sido e continua a ser a galinha dos ovos de ouro do argentarismo internacional. Há um certo cuidado, pois, em não matá-la e dar-lhe, às vezes, um pouco de fôlego e milho afim de que não se acabe a maravilhosa postura”. (Barroso, 1989, p.55)

Empréstimos da Monarquia de 1824 a 1889 – 65 anos:

Quantia apurada ou recebida:
£51.632.877,00

Quantia devida:
£62.760.932,00

Quantia paga ou a pagar:
£152.111.251,00

Empréstimo da República de 1893 a 1927 – 34 anos:

Quantia apurada ou recebida:
£93.816.367,00 (em apenas 34 anos, 82% mais se comparado à monarquia)

Quanta devida:
£103.015.717,00 (64% mais que a monarquia)

Quantia a pagar:
£305.760.708,00 (101% mais que a monarquia)

Bom, no final de contas, os números não mentem e os números não escondem. Os dados apurados há mais de 80 anos provam que a república faliu o Brasil e nos tornou dependente de grupos de interesse internacionais. Somos, definitivamente, uma ‘Colônia de Banqueiros’.

Por Augusto Ittner

BARROSO, Gustavo. Brasil colônia de banqueiros. 3 ed. Porto Alegre: Revisão, 1989.

VEJA MAIS!

0 604