OPINIÃO

OPINIÃO

5 1238

Adrien Preuss, comentarista convidado.

Na última sexta-feira, foi ao ar a entrevista do Príncipe Dom Bertrand de Orleans e Bragança, Príncipe Imperial do Brasil, ao Mariana Godoy Entrevista, na RedeTV!

Alguns dias antes, pelo Twitter, a apresentadora Mariana Godoy deu abertura para que seus seguidores sugerissem perguntas ao Príncipe Imperial. Participei fazendo a seguinte pergunta: “Como monarquista e homossexual, gostaria de saber como ficariam os direitos dos gays numa eventual Monarquia restaurada?” sabendo da posição conservadora de Sua Alteza Imperial e Real. Ao que me foi respondido pelo Príncipe Imperial, não nestas exatas palavras, que, de seu ponto de vista religioso, Deus criou o homem e a mulher um para o outro, e que portanto as práticas homossexuais seriam erradas, contra as leis de Deus, por isso não as aprova, tampouco o casamento, que seria uma convenção social do Catolicismo, mas deixou claro que no renovado Império do Brasil, nenhum homossexual, como nenhuma pessoa, quer por qual motivo seja, seria perseguida ou teria seus direitos cerceados pelo Estado, que defende ser mínimo.

No que conheço de Sua Alteza Imperial e Real, devo dizer que foi uma resposta muito moderada e surpreendente, com a qual fiquei muito satisfeito. Como já disse, qualquer pessoa com uma boa interpretação e conhecimento político entenderia que, apesar da posição pessoal do Príncipe Imperial, esta não interferiria nos assuntos do Estado, porquanto havendo um democrático sistema parlamentarista, tais questões caberiam ao Parlamento, não ao monarca, resolver. Ao monarca cabe apenas, não de forma descompromissada, mas de forma coerente com o Parlamento, sancionar ou vetar as leis aprovadas.

Para fazer isto mais claro, ainda que o Imperador quisesse promover uma “caça aos gays”, seria impossível, sendo sua vontade pessoal limitada pelo sistema de pesos e contrapesos da democracia. E ainda haveria a instância jurídica para garantir direitos e liberdades civis, o que não seria necessário.

Para mim ficou claro que a liberdade de ação e os direitos civis prevalecem sobre as opiniões pessoais de Sua Alteza e da Casa Imperial, e este está consciente disto. Sou muito crítico da posição da Casa Imperial e seus Príncipes, e tenho que admitir que, em minha opinião, foi a melhor entrevista já concedida por Sua Alteza Imperial e Real tal qual a melhor já realizada com sua ilustríssima presença. Não concordo com o ponto de vista religioso de Sua Alteza, mesmo por ser ateu e por acreditar na liberdade individual completa e absoluta garantida por um Estado sem envolvimento religioso. E tenho por mim que Sua Alteza falha em sempre tropeçar na questão da religião com o Estado, mas, qual homem não erra? E isso não faz dele menos preparado para ser o grande Chefe de Estado que seria se tivesse a chance.

VEJA MAIS!

0 618
  • Alessandro Rocha Fonseca

    A Missa não vale o Brasil, parafraseando ─ parafraseando Henrique IV quando renunciou à Reforma. Eu fiquei muito preocupado com as declarações de Sua Alteza Imperial e Real, mas ainda acredito na Monarquia como sistema político mais viável para o Brasil. Desde a Reforma de Lutero para os dias de hoje, houve avanços não só na contestação ao Catolicismo mas também na forma em que se vê o Estado. Pensadores da Igreja Reformada ─ Presbiteriana, Luterana, Calvinista, Anglicana e Metodista ─ Ulrico Zuínglio, Henrique Bullinger, John Knox, Abraham Kuyper e Karl Barth foram fundamentais para o fortalecimento do Estado Laico, da Tolerância Religiosa e do Ensino Público e Gratuito. Calvino abordou essa temática no último capítulo das Institutas (Livro IV, Cap. 20), intitulado “O Governo Civil”. Ele afirma: Portanto, a Igreja não deve usurpar as funções do Estado nem o Estado, as funções e prerrogativas da Igreja. Estes pensadores foram tão importantes que nortearam o sistema político em relação a igreja, principalmente: nos Estados Unidos, na Alemanha, na França, no Reino Unido, na Holanda, e na Suíça. Em uma democracia amadurecida, a exemplo da brasileira, em que a pluralidade de opiniões deve ser respeitada, é fundamental uma Carta Magna que priorize os Direitos Civis e as Liberdades Individuais acima dos Dogmas e Catecismos não só da Igreja Católica mais de todas e quaisquer religiões. Um Estado não laicista, mas laico. Um Governo laico que propicie tolerância ─ a exemplo de D. Pedro II, que foi amigo pessoal de vários Judeus, afrodescendentes e dos missionários reformados. E por fim, a questão da escola pública e gratuita. A Reforma trouxe este modelo ao mundo contemporâneo como o melhor instrumento de crescimento de uma nação. Quando a Reforma estabeleceu que seria necessário ensinar o Evangelho no idioma natal da população e que seria mister que o povo fosse alfabetizado para que pudesse ler e entender por si as Escrituras, novamente sobressaiu da esfera religiosa. Foram abertas várias escolas públicas, sempre uma ao lado de cada igreja, e se aos domingos funcionavam na função de Escola Bíblica Dominical, nos outros dias da semana funcionava como escola laica. Não dá para deixar todo o ensino público nas mãos da iniciativa privada. Se existe um investimento que é inegociável é a escola pública gratuita universal e de qualidade inquestionável. Existe um admirável mundo novo Pós-Reforma e estes valores se permearam positivamente nas democracias modernas. D. Bertrand não precisa abrir mão de seus valores Católicos, nem se dicotomizar deles para reger o povo Brasileiro. Pedimos apenas que entenda o povo brasileiro às luzes de valores que nos são tão caros quanto a fé que Sua Alteza Imperial e Real professa enquanto verdadeiro devoto no santuário da fé.

  • Gustavo Tenório

    Exatamente, o príncipe apenas demonstrou sua posição como um legítimo católico e conservador. Eu não vi absolutamente nada de errado na entrevista de S.A.I.R. D. Bertrand. Pedir que ele minta sobre suas opiniões pessoais para buscar votos é pedir que ele aja como um corrupto. Ele tem de falar a verdade doa a quem doer. O melhor de tudo isso é que tudo que D. Bertrand disse não atacou as liberdades individuais e nem mesmo os grupos minoritários. Alguns podem me considerar parcial por também ser conservador e também ser católico, mas repito: não atacou as liberdades individuais, isso em nenhum ponto. Foi apenas a opinião pessoal dele, que pode acontecer ou não dependendo do Parlamento e da população.

  • Daniel Agl

    Sou “reformado” e acho que o Estado deve trabalhar para que cada comunidade seja independente, conseguindo prover a própria saúde, segurança e educação e não o modelo atual de dependência.

    Se caso o Estado cair, os independentes ficaram ainda de pé.

    É através da democracia que grupos de interesses chegam ao poder e dissemina ideologias terríveis pelo sistema público de ensino.

    Como acontece aqui no país, onde não só públicas mas também as escolas privadas são obrigadas a propagar o socialismo/comunismo e falácias da própria realidade do livre mercado (que é a simples associação entre pessoas), por um órgão chamado MEC.

    Lembrando que “iniciativa privada” não se refere apenas à empresas mas à qualquer individuo que toma uma iniciativa.

    É por isso que concordo com quando D. Bertrand fala: “O Estado deve ‘apenas’ fazer aquilo que não for possível ao conjunto das famílias”.

    Esse sim, será um país forte.

  • Alessandro Rocha Fonseca

    Quando o Estado se torna responsável pela educação pública da creche ao ensino básico, ele não está exercendo uma política assistencialista. Está exercendo uma política de subsistência para que, aí sim, não venha ter que ser assistencialista. O Estado da Criança e do Adolescente generaliza que é dever de todos cuidar da criança e do adolescente. Pulverizando genericamente o dever à todos. O que acabou transformando todos em ninguém. Segurança, educação, saúde e seguridade social são responsabilidades indissociáveis da razão de ser do Estado. A participação de organizações não governamentais, indivíduos e empresas podem complementar estas ações do Estado, nunca substituir. E não existe resultados terríveis originados pela democracia. Democracia não é a imposição do desejo da maioria sobre a minoria. Democracia é a saudável aceitação mútua entre as partes contraditórias, com civilidade, tolerância, respeito e inclusão de toda a pluralidade existente. Uma democracia só funciona perfeitamente quando direitos civis e liberdades individuais são respeitadas. Todo individuo deveria ter livre arbítrio para tomar as suas decisões individuais e arcar com os ônus e bônus de suas escolhas, ressalvando que estas liberdades e direitos não venham a interferir nos direitos e liberdades de outro individuo. Benjamin Franklin defendia que “aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança..” Democracia é fundamentada em direitos civis e liberdades individuais.

  • Daniel Agl

    Temos opiniões discordantes. Mas não critiquei a Democracia no sentido contra ela, mas reconheço que é por ela que entra aqueles que desejamos não entrar. Mas critiquei o ato do Estado fazer o que vejo como dependência. E quero ter a liberdade individual e da minha comunidade de prover saúde, segurança e educação.