Chefe de governo em fim de mandato continua candidato à reeleição. Rei Felipe VI fará nova rodada de consultas a partidos no Congresso.

O chefe de governo espanhol em fim de mandato, o conservador Mariano Rajoy, recusou postular-se a formar um governo, como propôs o rei Felipe VI, após uma rodada de consultas com os diferentes partidos do Congresso, informou nesta sexta-feira (22) a Casa Real. No entanto, Rajoy disse que ainda é um candidato a presidente do novo governo.

“Dom Mariano Rajoy agradeceu à sua majestade, o rei, por tal oferta, que declinou”, destacou a Casa Real em um comunicado.

Após a reunião do rei, Rajoy declarou à imprensa: “Mantenho minha candidatura à presidência do governo, mas ainda não tenho os apoios para submeter-me à investidura”.

No mês passado, as eleições legislativas naEspanha terminaram com vitória apertada para o partido de Rajoy, o Partido Popular (PP). O PP precisaria estabelecer pactos para reeleger Rajoy como presidente do governo, mas não recebeu apoio dos outros partidos.

Nova rodada de consultas
Nos termos da Constituição, o rei deve ouvir os diferentes partidos representados na Câmara dos Deputados antes de propor um candidato para formar um governo, que, em seguida, deve ser investido por uma maioria de deputados.

Com a decisão de Rajoy, o rei Felipe VI deve começar uma nova rodada de consultas no Parlamento a partir da próxima quarta-feira.

Felipe VI enfrenta uma situação nova: uma câmara dividida em quatro grandes partidos. Mais de 100 de seus 350 deputados são novos e representam a esquerda radical do Podemos e seus aliados, com 69 cadeiras, e os liberais do Cidadãos, com 40. Esses representantes atuam junto com os dois partidos que se alternam no poder há mais de 30 anos: os conservadores do PP (com 123 deputados) e os socialistas do PSOE (com 90).

Proposta de governo
Durante a coletiva de imprensa desta sexta, Rajoy explicou sua decisão de não se submeter à votação por enquanto: “Não tenho os apoios sobretudo porque ficamos sabendo que nesta manhã foi apresentada uma proposta de acordo que contaria com muitos mais votos a favor e com muitos menos votos contrários do que a minha”, disse. “Não teria nenhum sentido que eu continue preparando meu debate de investidura enquanto outros estão negociando a divisão do governo”, acrescentou.

Na manhã desta sexta, o líder do Podemos, Pablo Iglesias, propôs a formação de um governo com o PSOE. Iglesias não havia revelado até agora sua posição, que parece abrir caminho para uma aliança de esquerdas na Espanha, à imagem da que chegou ao poder em Portugal em novembro.

Sua proposta foi recebida com certa reticência pelo líder socialista, Pedro Sánchez, que considerou que primeiro é preciso falar de programa e de políticas, mas admitiu que é importante tentar alcançar um acordo.

 

 

A oferta do Podemos parece mais viável pelo fato de que aparentemente abandonou a exigência de um referendo de independência da região da Catalunha como condição para apoiar os socialistas, que se opõem à consulta.

No entanto, argumentou que “defendemos que na Catalunha seja feito um referendo, entendemos que esta proposta precisa ser colocada em discussão com outras” nas eventuais negociações com os socialistas.

O terceiro parceiro deste hipotético governo, o líder do IU, Alberto Garzón, pediu para que seja iniciado um diálogo para a formação “de um governo de mudança” como em Portugal e na Grécia.

Iglesias e Sánchez se reuniram pela manhã com o rei Felipe VI, no âmbito da rodada de consultas realizadas pelo monarca para propor um candidato para formar um governo, antes da reunião do rei com Mariano Rajoy.

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