Maria Antonieta

Maria Antonieta

PARIS, 16 de Outubro de 1793. Silenciosa, a multidão aglomerava-se em frente à Conciergerie, local onde se encontrava encarcerada a Rainha Maria Antonieta. Os minutos pareciam longos. De súbito, ouviu-se a voz estridente de um oficial ordenando a abertura das grades de ferro da prisão. Todas as cabeças, todos os olhares então se voltaram para a carroça que conduziria ao patíbulo a soberana de França, que se tornara o alvo primordial das campanhas mais virulentas, articuladas pelos antros diretivos da Revolução Francesa.

“Durante este último passeio –– escreve Jean Chalon –– que segue o itinerário de seus triunfos esquecidos, ela não é mais uma rainha decaída: ela é a Rainha, a Solitária, a Única, a Rainha da infelicidade e da desolação. Já não pertence a este mundo e a seu nada. Entra na legenda, na qual para sempre, resplandecerá…” (1)

No infortúnio, nobreza e dignidade

Trinta mil soldados formavam um longo corredor de baionetas e canhões por onde passaria o lúgubre cortejo até a guilhotina. Vestida de branco, sentada no duro banco de madeira e com as mãos atadas às costas como vil criminosa, nem por isso Maria Antonieta perdeu a majestade. Até mesmo os revolucionários, como o célebre pintor David, ao lhe desenhar o perfil pouco antes de sua execução, não puderam impedir que a compostura e a dignidade da filha de Maria Teresa refulgisse naquele instante de suprema provação.

O desenho, feito nessa ocasião, revela uma fisionomia marcada pela dor, mas de uma resolução inquebrantável: olhos recolhidos, lábios serrados, postura eximiamente ereta, sem relaxamento, como se estivesse sentada numa poltrona do palácio de Versalhes.

Foi nessa ocasião que manifestou também a virtude da altivez cristã, quando retrucou ao padre juramentado –– a quem recusara confessar-se –– que a aconselhara a “se armar de coragem”: “Coragem, ah! Senhor, há diversos anos dedico-me à aprendizagem dela, não será no momento em que meus males vão terminar que me verão sentir falta da mesma”.(2)

Era meio dia quando a carreta que transportava a viúva de Luiz XVI chegou à praça da Revolução, o mesmo local onde seu marido fora executado, em 21 de janeiro de 1793.

“Maria Antonieta não tinha senão alguns instantes de vida. Ela receberá a morte como uma irmã bem amada em direção da qual se precipitou com leveza e prontidão. Na pressa, pisou sobre os pés do carrasco.

–– Senhor, peço-vos perdão, disse ela.

Perdão, será a última palavra que sairá de seus lábios… “Viva a República! gritou a multidão: era Sanson, o carrasco, que mostrava ao povo a cabeça de Maria Antonieta, enquanto embaixo da guilhotina o policial Mingauet embebia seu lenço no sangue da mártir”.(4)

Memória indelével

Assassinada quinze dias antes de completar seus 38 anos, Maria Antonieta no entanto continua viva na memória e no coração dos franceses.

Por ocasião do bicentenário da queda da Bastilha, em 1989, um canal de TV parisiense promoveu a representação do julgamento da rainha, tal qual descrevem os documentos históricos.

No final do programa, irradiado para toda a França, os telespectadores foram convidados a proferir a sentença. Ao contrário da Convenção revolucionária, que condenara à morte Luiz XVI e Maria Antonieta, 78% dos assistentes absolveram a rainha-mártir.

Um dos lances mais pungentes desse processo espúrio deu-se quando o promotor, Fouquier-Tinville, a acusou de ato incestuoso com seu filho. Diante de tamanha afronta, Maria Antonieta calou-se. Intimada a explicar seu silêncio, respondeu: “Calei-me porque a natureza se nega a responder semelhante calúnia feita contra uma mãe. Por isso, apelo a todas as mães aqui presentes…”(5)

Esta resposta comoveu até as viragos revolucionárias presentes no tribunal da Convenção, a ponto de provocar uma prolongada salva de palmas.

Parábola da História

Há certos crimes que, pela vítima atingida ou por serem carregados de simbolismo, ultrapassam o tempo e o cenário onde foram cometidos. Sem nenhuma proporção com os demais, encontra-se, no primeiro caso, o deicídio, a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Crime nefando que dividiu a História em duas partes. No segundo caso, bem se poderia evocar a decapitação de Maria Antonieta.

Como nenhuma outra rainha, ela encarnou os valores do

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Antigo Regime execrados pela Revolução de 1789: “Son port de tête –– relata a baronesa d’Oberkirch –– la majesté de sa taille, l’élégance et la grâce de sa personne, …. tout en elle respirait la grandeur de sa race, la douceur et la noblesse de son âme; elle appelait tous les coeurs”. (Sua impostação de cabeça, a majestade de seu porte, a elegância e a graça de sua pessoa, tudo nela respirava a grandeza de sua raça, a doçura e a nobreza de sua alma; ela atraía todos os corações).(6)

Por isso, tornando-se uma expressiva representação da condição aristocrática, ela foi a vítima por excelência da Revolução vítima simbólica do que a fúria do tufão de 1789 engendrou de mais infame.

Confessou-o expressamente o repugnante Mirabeau –– nobre, traidor de sua classe social e transformado em tribuno da populaça –– já durante o desfile comemorativo da abertura dos Estados Gerais, em 5 de maio de 1789: ao ver a rainha desfilar, lançou a palavra-de-ordem para os revolucionários que o seguiam: “Voilà la victime!” (eis aí a vítima!).

Vítima de uma poderosa e bem orquestrada máquina de difamação e de calúnias, Maria Antonieta chegou ao pé do cadafalso com a consciência tranqüila de ter cumprido seus deveres de rainha e de mãe. Por isso, na manhã do dia de sua execução, pôde escrever em sua carta-testamento, dirigida a Madame Elisabeht, irmã de Luiz XVI: “Estou calma como se é quando a consciência nada acusa… Morro na religião católica, apostólica e romana, na de meus pais, na qual fui criada e a qual sempre professei… Peço sinceramente perdão a Deus de todas as faltas que posso ter cometido desde que existo. Espero que em sua bondade Ele quererá receber meus últimos desejos, assim como os que faço há muito tempo para que queira receber minha alma em sua misericórdia e sua bondade… Perdôo a todos meus inimigos o mal que me fizeram”.(7)

Entre o sonho e o pesadelo

A vida de Maria Antonieta Josefina Joana de Lorena d’Áustria começou como um sonho num palácio em Viena, e terminou como um pesadelo numa prisão de Paris. Os sinos que festejaram seu nascimento, a 2 de novembro de 1755, não tocaram em luto pela sua morte, pois todas as igrejas da França, durante o Terror de 1793, foram fechadas pelos revolucionários.

Entre o sonho e o pesadelo, transcorreram dias gloriosos como de um conto de fadas, e lúgubres como a invasão das Tulherias e a queda da Monarquia (1792), que prenunciaram uma catástrofe sem nome para toda a Europa.

Poucos historiadores conseguiram sintetizar em poucas linhas um juízo tão profundo sobre Maria Antonieta quanto o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira: “Há certas almas que só são grandes quando sobre elas sopram as rajadas do infortúnio. Maria Antonieta, que foi fútil como princesa e imperdoavelmente leviana na sua vida de rainha, perante o vagalhão de sangue e miséria que inundou a França, transformou-se de modo surpreendente. O historiador verifica assim, tomado de respeito, que da rainha surgiu uma mártir, da boneca uma heroína!”.(8)

Monumento a Maria Antonieta na Basilica de Sao Dinis em Paris. Foto de Sailko

FONTE: SITE NOBREZA.ORG

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