Estamos prestes a ver o retorno dos Reis?

Estamos prestes a ver o retorno dos Reis?

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“Are we about to see the return of the Kings?”

Faltando apenas dois meses para o início das Olimpíadas do Rio, as desgraças do Brasil continuam, com um ministro do Governo interino sendo forçado a renunciar, após ser acusado de conspirar para paralisar as investigações de corrupção no país. Obviamente, não é apenas a presidente Dilma Roussef que está sendo investigada: um quarto dos congressistas do Brasil é acusado de atos criminosos, o que sugere que o país tem um “pequeno” problema com a corrupção.

Entretanto, existe uma solução disponível, que é bem vista pelas pessoas. Dois terços dos brasileiros(*) dizem que gostariam de livrar-se completamente dos presidentes – e trazer de volta a monarquia. E há um homem de prontidão, aguardando.

Aos setenta e cinco anos de idade, Bertrand Maria José Pio Januário Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orleans e Bragança e Wittelsbach, que prefere o nome mais informal Bertrand Maria José Pio Januário Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orleans e Bragança, é trineto de Pedro II, último imperador do país, e vive em uma casa alugada de dois quartos, em São Paulo. Mas agora pode ser um momento propício para o retorno do Rei.

O Brasil, um país jovem no Novo Mundo, pode não dar a impressão de ser um país francamente monarquista, mas pode ser simplesmente o tipo de sociedade que se beneficiaria em ter um rei: enorme em potencial, também é enorme em corrupção, e pequeno na solidariedade social que gera o que os americanos costumavam chamar de “virtude republicana”.

As Monarquias comprovadamente ajudam a construir a solidariedade social, a criação de um sentido de continuidade e união em torno de uma família; elas são também uma via saudável para um país projetar sentimentos patrióticos, que de outra maneira poderia tornar-se algo desagradável. Monarcas apresentam-se como relativamente neutros, o que é especialmente útil em sociedades que se caracterizam por divisões étnicas, de classes, de clãs, religiosas ou lingüísticas. Portanto, se você tem uma vida segura no Oriente Médio, isso depende quase inteiramente de você estar sendo governado por um monarca ou por um presidente. Sendo assim, não admira que a idéia da restauração da monarquia líbia não seja assim tão improvável no momento.

Isso não é apenas uma reação isolada de minha parte. O “Business Insider” informou recentemente sobre os benefícios da monarquia:

“Andreas Bergh e Christian Bjørnskov descobriram que a confiança social é maior em monarquias. Confiança social é um fator importante na sociologia e na economia, e geralmente correlaciona-se com menores índices de crime e corrupção, entre outras coisas.

Outros estudos sugeriram que os estados monárquicos parecem promover a coesão. Um estudo realizado por Sasha Becker e outros, mostra maior confiança e menos corrupção no interior das fronteiras do antigo Império Habsburgo do que entre as pessoas que vivem fora dos limites históricos do Império.

Tim Besley, ex rate-setter do Banco da Inglaterra, escreveu um relatório no início do ano, sugerindo que em um país com limitações executivas fracas, que passa de um líder não-hereditário para um líder hereditário, a média de crescimento econômico anual do país aumenta em 1,03 % ao ano.

Petra Schleiter e Kent Edward Morgan-Jones, da Universidade de Oxford, sugerem que os governos sob monarquias constitucionais são mais propensos a consultar os seus povos com eleições antecipadas, em comparação com governos de presidentes nomeados ou diretamente eleitos.

A vantagem da monarquia é que, embora seja essencialmente reacionária, na sua moderna forma constitucional tem apenas aparência reacionária, sendo provavelmente o melhor tipo: que resgata todas essas coisas que perdemos com o passado, o sentido de comunidade, certeza e ritual comum, embora sem as mazelas do passado. É como passar duas semanas aproveitando  uma fazenda francesa, imaginando reviver tradições rurais, enquanto que na realidade o local provavelmente esteve envolvido em miséria e horrores até o século 20.

Há ainda, na Europa, um apoio generalizado para restaurar a monarquia na Romênia, Bulgária e Sérvia, e até mesmo na Rússia fala-se de um retono dos Romanov. Infelizmente, creio que não viverei para ver Louis XX coroado em Notre-Dame de Reims, mas sempre podemos sonhar.

Quase cem anos depois que os Romanov, Habsburgos e Hohenzollern foram expulsos, este poderia ser o início de uma nova era de ouro para a monarquia?

(*)N.T. o autor provavelmente refere-se a recente pesquisa de opinião, onde dois terços dos participantes opinaram a favor do retorno da monarquia no Brasil.

Ed West

http://blogs.spectator.co.uk/2016/05/return-of-the-kings-are-we-about-to-enter-a-golden-age-of-monarchy/

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