Em seu tradicional discurso anual, a rainha apresentou o programa de governo de Cameron e se manteve afastada de assuntos controversos como o referendo de saída da UE

Em seu discurso anual no Parlamento britânico, evento que faz parte do protocolo do país, a rainha Elizabeth II apresentou nesta quarta-feira o programa do governo conservador de David Cameron. Em uma cerimônia repleta de tradições, a monarca anunciou planos para 21 novas leis, entre elas a reforma do sistema prisional, medidas de combate ao extremismo e a facilitação da adoção de crianças.

Em um comunicado divulgado antes do evento, o primeiro-ministro destacou que “estabelece um claro programa de reformas sociais, para derrubar os obstáculos e permitir que todos desfrutem de oportunidades de prosperar”. Acerca do sistema prisional, a rainha afirmou que os planos envolvem o fechamento de prisões ineficientes e um foco maior na recuperação dos detentos, em vez da punição. “Os dirigentes das prisões terão uma liberdade sem precedentes e poderão assegurar que os presos recebam uma educação melhor”, disse Elizabeth II.

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A cinco semanas do referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia, em 23 de junho, o discurso não apresentou grandes anúncios ou medidas inovadoras. Na fala de nove minutos, a rainha apenas citou que seria realizada a votação e não falou mais sobre o assunto, que tem causado uma batalha acirrada no cenário político britânico.

O discurso priorizou assuntos menos controversos e fez alusão ao futuro, com veículos sem condutor, entregas feitas por drones e viagens comerciais para o espaço. Elizabeth II disse que seus ministros vão garantir que o Reino Unido esteja “na vanguarda da tecnologia para novas formas de transporte, incluindo carros autônomos e elétricos”. O governo pretende abrir um “espaçoporto” em 2018, que poderia ser usado para lançamentos de satélites e voos espaciais turísticos.

Refém – Usando a coroa imperial, com quase três mil diamantes, a monarca percorreu de carruagem a distância entre o Palácio de Buckingham e o Parlamento e pronunciou o discurso na Câmara dos Lordes, acompanhada pelo marido, o príncipe Philip. O evento é um dos mais pomposos da realeza, e diversos costumes se repetem anualmente. A rainha mantém um deputado como refém no palácio até o seu retorno sã e salva, um legado de uma época em que existia a possibilidade de que isto não acontecesse.

O subsolo do Parlamento também é revistado cuidadosamente, em uma tradição que existe desde o complô católico para assassinar o rei, em 1605, liderado por Guy Fawkes, cujo rosto se tornou popular graças ao quadrinho e ao filme V de Vingança e às máscaras dos hackers do grupo Anonymous. Entretanto, neste ano, Elizabeth II precisou quebrar um dos protocolos pela primeira vez desde que assumiu o trono. Segundo a revista People, a monarca, que completou 90 anos em abril, usou o elevador em Westminster em vez de subir os 26 degraus até a sala onde vestiu o traje real. Um porta-voz da família afirmou que foi “um modesto ajuste para o conforto da rainha”.

(Com AFP)

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