Cristo brasileiro: o êxito da república

Cristo brasileiro: o êxito da república

“Ei-lo, o gigante da praça,

O Cristo da multidão!

É Tiradentes quem passa…

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Deixem passar o Titão.”

[Poema de Castro Alves]

“Heróis são símbolos poderosos, encarnações de ideias e aspirações, pontos de referência, fulcros de identificação coletiva. São, por isso, instrumentos eficazes para atingir a cabeça e o coração dos cidadãos a serviço da legitimação de regimes políticos”. (A Formação das Almas, p.55).

A figura de um heroi republicano certamente foi uma das – senão a maior – preocupações e dificuldades dos republicanos. No caso brasileiro, parecia inexistir uma figura com as características acima descritas. No entanto, a figura do heroi era importantíssima para a república brasileira já que a própria população não teve uma participação efetiva na implantação do novo regime.

Postulantes à figura de heroi existiam. Eram os próprio envolvidos no 15 de novembro (Marechal Deodoro, Benjamin Constant, Floriano Peixoto). Mas, nenhum deles parecia dispor de carisma que os fizessem aceitos pela população e as tentativas de promovê-los falharam. Outros personagens foram pensados:

Frei Caneca fora heroi de duas revoltas e morrera como mártir, fuzilado. Bento Gonçalves por sua vez era heroi (de fato) da república farroupilha. Mas ambos foram desconsiderados também. Foi necessário buscar outro personagem. É aí que entra a figura do Tiradentes. Ideal por motivos geográficos (pois Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, eram províncias de grande importância para o país nesse período) e de identificação coletiva. Em um país de maioria católica, Tiradentes iria converter-se no Cristo brasileiro. Vejamos:

Joaquim José da Silva Xavier (12 de novembro de 1746 – 21 de abril de 1792) foi um mineiro que teria encabeçado a revolta conhecida como Inconfidência Mineira. A figura de Tiradentes já era conhecida pelos mineiros, bem como em algumas regiões fluminenses e paulistas devido ao grande abalo causado na sociedade por sua execução. Justamente na região fluminense estava instalada a corte portuguesa e posteriormente a corte imperial (1822). A discussão sobre Tiradentes trazia incômodos à elite imperial, uma vez que Pedro I e Pedro II eram – respectivamente – neto e bisneto da Rainha Maria I, a mandante da execução do inconfidente. O Brasil adotara o regime monárquico e os inconfidentes teriam pregado o regime republicano. Logo, Tiradentes não poderia ser visto como heroi durante o período imperial (embora monarquistas tivessem colocado Pedro I como o homem que teria concretizado o sonho de Tiradentes de um país liberto).

A primeira referência a Tiradentes veio de um estrangeiro. Baseado na sentença de Tiradentes, Robert Southey faz uma análise neutra da revolta.

Ribeyroles (um parisiense radical – e republicano – que fora deportado para o Brasil) em seu livro “Brasil pitoresco” (1859) mostra um Tiradentes-herói.

Norberto (que era monarquista) publicara a obra “História da Conjuração Mineira” colocando Tiradentes como figura secundária. Baseada nos Autos da Devassa – encontrados nos arquivos da Secretaria do Estado do império, Memória – de um autor anônimo – e o depoimento do Padre Penaforte – que havia confessado Tiradentes antes da execução.

Castro Alves conferiria à Tiradentes em 1867 na sua obra “Gonzaga ou a Revolução de Minas” certa idealização. Tiradentes é então comparado com Cristo. Desse modo, aos poucos uma figura

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mais ou menos pública (mas branca) ia recebendo características (e cores).

Apelar para a religiosidade do povo foi um grande trunfo dos republicanos. Tiradentes iria assumir as feições de Cristo. A Coroa Portuguesa seria o Rei Herodes. O Rio de Janeiro convertera-se em Jerusalém e a Forca em Cruz. O delator Joaquim Silvério dos Reis encarnava o traidor Judas. Semelhanças estas aproveitadas e melhoradas pelos construtores da imagem de Tiradentes. Assumindo essa mitificação tornaria possível uma identificação coletiva a todos os brasileiros (que eram em sua maioria católicos).

Tiradentes assumiu o papel de heroi cívico-religioso ao invés de heroi republicano radical (como era o caso de Frei Caneca) e o não acontecimento da revolta foi essencial para que isto ocorresse. Tiradentes havia sido martirizado assim como Cristo. O pretendido heroi republicano foi ampliado para heroi nacional tão grande foi o êxito dos republicanos em produzirem tal heroi.

A construção da representação visual também teve de ser imaginada, uma vez que Tiradentes nunca fora retratado (e ela se aproximou também da de Cristo, que por sua vez também havia sido inventada pelos europeus medievais). Elaborados já no período republicano, tais representações carregavam conteúdos políticos do novo regime e gostaríamos de deixar como um exercício de reflexão: visualizem alguns dos mais famosos retratos de Tiradentes e se perguntem quais as informações (ou ideais) que eles procuram repassar.

Fonte: A Formação das Almas – O imaginário da República no Brasil, José Murilo de Carvalho.

Samuel José Cassiano,

Marcelle F. de A. Andrade,

Acadêmicos do curso de História, Universidade Federal da Integração Latino Americana-UNILA


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