Autoridade x Autoritarismo

Autoridade x Autoritarismo

Recentemente escrevi para este portal sobre o escândalo da ditadura egípcia e as manifestações que lá eclodiram e derrubaram o presidente Hosni Mubarak. Após isto, quase todo o mundo árabe entrou em colapso e vemos diariamente na TV algum país daquela região enfrentando intensos protestos de civis contra seus regimes opressores.

Cada manifestação possui um caráter e reivindicações específicas, porém todas têm uma característica em comum: a luta pela liberdade individual e de imprensa, pela democracia e pela diminuição da desigualdade. Foi assim na Tunísia, no Egito e agora nos recentes protestos no Yêmen, Bahrein e na Líbia, o mais sangrento de todos. Em comum, todos estes possuem um regime ditatorial, centralizador, que vêm oprimindo as liberdades e os direitos individuais

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e deixando grande parte da população na miséria.

De todos estes países, apenas o Bahrein é uma Monarquia. A mídia fez questão de dar um grande destaque para esta particularidade. Quantas vezes você deve ter ouvido que “a Monarquia do Bahrein” está há tantos anos no poder, ou que o “monarca absoluto do Bahrein” mandou conter a população? Será que o problema está no regime adotado naquele país? O que torna àquela Monarquia pior e diferente das demais Repúblicas da região?

Nada. Não há diferença alguma entre a Monarquia do Bahrein e as Repúblicas do Egito, Yêmen, Tunísia ou Líbia. Todas são ditaduras baseadas em um modelo ultrapassado de centralização do Estado, onde o soberano exclui qualquer possibilidade de diálogo e prefere implantar o autoritarismo. E é nesse ponto que gostaria de ver as discussões na TV, jornais e na Internet.

Autoritarismo e Autoridade são duas coisas completamente diferentes. Os governos que estão enfrentando estas manifestações são autoritários, por não criarem espaço para o diálogo. A política de cada país se baseia em um monólogo, onde somente os partidários do governo têm o direito de falar. Veja o caso da Líbia. Kadafi, o ditador sanguinário, proibiu qualquer partido de oposição no país, perseguindo e matando todos àqueles que tentaram ser uma voz contrária ao regime. E mais, a Líbia não possui se quer uma Constituição que garanta os direitos mínimos a sua população. Geralmente, governantes como Kadafi buscam ter autoridade pelo autoritarismo. Impossível.

A autoridade, por outro lado, é algo conquistado e não outorgado. Um líder de autoridade não restringe os espaços de diálogos e sim os cria para gerar dinamismo na política de seu país. Um líder que possui autoridade não têm medo de enfrentar vozes contrárias ao seu pensamento, pois ele está acima de qualquer discussão partidária ou brigas entre grupos da sociedade, simplesmente porque ele é reconhecido por sua população como alguém que tem autoridade suficiente para governar bem seu país. Este modelo de governança é a base da política moderna.

Neste quesito, somente um Rei ou Imperador possui autoridade suficiente para implantar um governo onde todos os setores da sociedade e da política possam ter voz e participar do processo democrático de forma ativa. Na Monarquia, o soberano não é filiado a uma facção política, nem depende de grupos econômicos para se manter no poder. Ele é preparado desde criança para ser líder e exercer a autoridade que a população já o confere, mesmo antes de ser governante. D. Pedro II, por exemplo, já possuía autoridade de Imperador mesmo aos seus 15 anos, quando subiu ao trono. Governou o país e nunca fechou portas ao diálogo, nunca controlou a imprensa, nunca mandou fechar partidos e nem perseguiu inimigos políticos. Por isso, sua autoridade continuou mesmo depois de morto. Muitas cabeças autoritárias conferem a este caráter do monarca brasileiro, o fato da República ter sido implantada no Brasil. D. Pedro II fez o que tinha que fazer pelo bem do país, e não para manter-se no alto do trono. Ao contrário do monarca do Bahrein, que preferiu usar sua autoridade para ser autoritário, D. Pedro II e tantos outros Reis e Imperadores, foi um legítimo líder com “L” maiúsculo.

Glauco de Souza Santos é historiador e professor

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