À memória de João Caetano

À memória de João Caetano

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joão caetano 2012
A estátua de João Caetano no dia de sua reinauguração. Foto de Theodora Duvivier (2012)

Por Andrea Carvalho Stark*

 

Depois de completar 122 anos de existência como um monumento da cidade, a estátua do ator João Caetano foi restaurada e voltou para a frente do teatro que leva o seu nome, na Praça Tiradentes (centro do Rio de Janeiro), em breve cerimônia realizada no dia 08 de setembro de 2012.

Pela ausência de sua espada, roubada há muitos anos, parecia que João Caetano ficaria eternamente congelado em uma pose de alerta ou proteção, com as mãos espaldadas frente ao corpo. Uma imagem muito significativa, frente ao teatro onde tantas vezes ele atuou, dirigiu e lutou. Tornou-se simbólica a pose, acidentalmente criada devido a depredação. Na verdade, a estátua em bronze de Chaves Pinheiro eterniza o ator em um de seus mais marcantes papéis trágicos, o de Oscar na tragédia de Antoine Vicent Arnault, “Oscar, filho de Ossian”. Sobre a cena da tragédia francesa imortalizada no bronze, o próprio João Caetano nos revela em trecho de seu livro Lições Dramáticas: “Na bela passagem em que fui copiado pelo insigne escultor Francisco Manuel Chaves Pinheiro, lente da Academia das Belas Artes, a estátua que expôs em 1860 representa a situação em que Oscar, delirante, reconhece a sua espada, proferindo estas palavras: “É minha!”. O intervalo que eu fazia antes de falar, a expressão fisionômica, a atitude e o gesto exprimiam com

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a mais perfeita verdade o horror com que Oscar se convence de ter sido o assassino de seu melhor amigo. (…) Depois que ele reconhece a espada com que havia morto seu amigo, segue-se uma tirada de belos versos no meio da qual ele se arroja ao chão, e no fim tira um punhal da cintura e crava-o no peito.”

A estátua é resultado do esforço de Francisco Correa Vasques que idealizou a homenagem a seu mestre e amigo. O grande ator cômico do século XIX começou a frequentar o teatro ainda criança assistindo aos espetáculos que seu irmão, o ator Martinho Vasques, encenava no elenco de João Caetano. Depois ele mesmo passou a fazer parte da companhia, como vários atores que surgiram no Rio de Janeiro entre 1835 e 1863. Vasques, ainda no Império, buscou o apoio do Imperador D. Pedro II, que prestigiava com sua presença, atraindo mais público, os espetáculos promovidos pelos artistas da época em benefício do projeto. Mas a inauguração da estátua só ocorreu na República, em

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grande festa no dia 04 de maio de 1891, frente a antiga Academia Nacional de Belas Artes, na Praça Tiradentes. A partir de 1916, passou para a frente do teatro que adotou o nome do homenageado.

A estátua de João Caetano frente a Escola Nacional de Belas Artes em 1885. Foto de Marc Ferrez
A estátua de João Caetano frente a Escola Nacional de Belas Artes em 1885. Foto de Marc Ferrez

O título de “primeiro ator do Brasil” é importante mas não informa a amplitude do pioneirismo de João Caetano: ele foi o primeiro diretor de companhia a encenar autores nacionais; no trabalho de ator, aplicava a postura clássica, algo que se confrontava com a atuação portuguesa em voga; em 1860, viajou para a Europa onde conheceu o Conservatório Real Francês e voltou ao Brasil disposto a montar uma escola de arte dramática. Mesmo sem o apoio do governo e já tendo perdido a subvenção que recebia mensalmente, a escola funcionou por um ano. Entretanto, nota o crítico Decio de Almeida Prado, por não poder prescindir dos atores e do público português, acabou se afastando de nossa dramaturgia, aliando-se assim de forma parcial à questão do nacionalismo em nossos palcos, “faltou-lhe uma lúcida perspectiva histórica nesse sentido”, observa Prado em seu livro João Caetano: o ator, o empresário, o repertório.

Talvez essa falta de perspectiva histórica tenha sido a única forma possível de João Caetano conseguir realizar sua vocação dramática. Desde sua estreia como ator em 1827, aos 19 anos, provavelmente em sua cidade natal, Itaboraí, não foram poucos os esforços que ele empreendeu para simplesmente conseguir sobreviver no teatro.

Quando João Caetano começou sua carreira, cada teatro abrigava uma companhia dramática em língua portuguesa e duas estrangeiras, garantindo a presença de atores e atrizes portugueses e franceses e das divas da ópera italiana. Na temporada lírica, o público se dividia em partidos teatrais a favor de uma ou outra prima-donna italiana. Os portugueses dominavam numericamente desde a atuação até a administração dos teatros e a plateia. A dramaturgia era composta por dramas franceses, traduzidos ou originais em língua francesa encenado por atores franceses, e portugueses, meio a algumas tentativas fracassadas de levar à cena textos de autores nacionais, até surgir o gênio de Martins Pena, outro pioneiro do teatro nacional. Neste cenário, João Caetano leva a sério seu projeto de estabelecer condições de trabalho para a atividade teatral. Em 1833, forma a Companhia Dramática Nacional, a primeira composta somente por atores brasileiros e a ter salários fixos. Esta companhia foi responsável pela encenação das primeiras tragédias e comédias brasileiras, ambas em 1838, Antônio José da Silva e o Poeta da Inquisição, de Gonçalves de Magalhães, e Juiz de Paz na Roça, de Luis Carlos Martins Pena, respectivamente. Mas será o gênero trágico o maior filão da companhia e nesses papéis, João Caetano será aclamado como o primeiro ator do Império do Brasil.

No espaço que hoje leva seu nome, outrora chamado Teatro São Pedro de Alcântara durante boa parte do período imperial, João Caetano teve as portas cerradas para os espetáculos de sua companhia por diversas vezes. Assim lhe restava sair em excursões ou para teatros menores. Excursionou por Mangaratiba e Angra dos Reis entre 1832 e 1834; Campos em 1846, e ainda Lisboa, Rio Grande do Sul, Pernambuco. Em Niterói, arrendou um teatro, inaugurado com o nome de Teatro de Santa Teresa. Foi diretor do Teatro de São Francisco, um pequeno espaço na atual Rua do Theatro, na Praça Tiradentes, onde trabalhou com uma companhia francesa de ópera-cômica (entre 1846 a 1848). Também fez temporada

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no Teatro de São Januário, outro teatro pequeno que ficava pelos lados da Praça XV. Até voltar ao Teatro São Pedro de Alcântara, como primeiro ator e empresário, em 1850. Assiste aos dois incêndios que destruíram completamente o edifício, sob a sua administração, mas o reconstrói. E o reconstruiria mais vezes, pois a paixão de João Caetano por sua arte o transformou em um homem obstinado, atuante como ator, empresário, ensaiador e teórico.

Os primeiros trabalhos sobre um método de atuação para o ator brasileiro são de sua autoria. Ainda jovem escreve Reflexões dramáticas para uso dos candidatos que se dedicam à cena, publicado em 1832, e mais tarde escreve Lições Dramáticas, publicado em 1862, no qual teoriza acerca dos postulados clássicos de atuação aplicados a sua experiência prática. João Caetano prega nestes trabalhos que o ator em cena deveria representar “a pompa e a majestade de um carvalho sendo tocado pela brisa”. Ele se baseia neste comedimento e controle clássicos para definir um método, aliado ao estudo e ao trabalho constante em vez da inspiração espontânea que guiava os atores à cena. A partir de 1850, as peças épicas, o drama romântico que formava o repertório de João Caetano, começam a ter que conviver com o teatro realista, mais “refinado” que considerava obsoleto o estilo do velho mestre. Surgem também outros gêneros que se tornam cada vez mais populares como as operetas, o teatro de revista, os vaudevilles, os musicais. O ator passou a viver um ostracismo devido a uma certa falta de renovação e, apesar de gozar do respeito e reverência de muitos, não atraia público nem as subvenções do governo.

Em 24 de agosto de 1863, aos 55 anos de idade, João Caetano falece depois de fazer uma declaração, testemunhada e registrada por Vasques que o acompanhava em seus derradeiros momentos: “Morro e comigo morre o teatro nacional”.

Prognóstico equivocado. O teatro nacional não morreu com João Caetano, e muito deve a seus esforços, mesmo que os passantes ou os que pisam o palco e a plateia do teatro que leva seu nome hoje não o reconheça.

Sobre a espada, uma esperança. Edgar Duvivier, responsável pela restauração, criou um sistema bem seguro para que a mesma não seja roubada. Será muito difícil retirá-la, garante o artista restaurador. Assim como não se retira de cena a presença de um grande ator, apesar de toda efemeridade de sua cena.

Obs: A reforma da estátua de João Caetano foi uma iniciativa dos diretores do teatro, Daniel Dias da Silva e Giulio Rizzo, que gerou uma ação conjunta reunindo o artista plástico Edgar Duvivier (responsável pelo trabalho de restauração), a Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro (Divisão de Monumentos e Chafarizes) e o empresário Luis Calainho, através da sua produtora Aventura Entretenimento.

 

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